Informativo do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais - Ocemg e do Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Minas Gerais - Sescoop/MG - Ano XI - n° 114 - março/2001

 

Cooperativa ajuda Inventores a ganharem mercado


Edymar de Oliveira: cooperativa busca
parceiros para os inventores

Belo Horizonte sedia a Cooperativa de Trabalho dos Intelectuais Inventores do Brasil (Coopiib), primeira do ramo no mundo e que, criada há menos de um ano, em agosto de 2000, já possui cerca de 400 inventores coopera-dos de Belo Horizonte e Região Metropolitana e 60 produtos patenteados, muitos dos quais já em comercialização no mercado, como são os casos do prendedor de lençóis (lençolfix) e da base coletora de água para vasos orna-mentais, entre outros.

O grande desafio da Cooperativa segundo seu presidente, Edymar Dutra de Oliveira, é organizar os inventores na defesa dos seus interesses e, ao mesmo tempo, buscar parceiros capazes de investirem na industrialização dos inventos e sua colocação no mer-cado. Entre os cooperados estão universitários, cientistas e autodidatas inventores de brinquedos pedagógicos, peças e equipamen-tos de uso doméstico e industrial. Oliveira argumenta que “o grande problema vivido por estes inventores é a falta de informação, uma vez que 90% deles não sabem como industrializar e colo-car seu produto nas lojas.”

A Coopiib surgiu da necessidade de se criar uma instituição capaz de representar os inventores com legitimidade e força política junto ao governo e à sociedade. “É pre-ciso reconhecer a atividade como geradora de ocupação e renda” afirma Oliveira. Para o fortaleci-mento da Cooperativa vem fir-mando parcerias importantes com instituições de ensino tecnológico que dão suporte ao trabalho dos inventores. “A cooperativa possui muito mais condições de viabilizar na prática os inventos, na medida em que pode identificar o público e os nichos de mercado para cada produto, trabalho que, na maioria das vezes, o inventor não tem condições de fazer sozinho” argumenta Oliveira.

 

Inventos buscam meracado

O Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, ostenta mais de 400 vasos de plantas com uma base que funciona como gaveta que isola a água do contato externo, inclusive do mosquito transmissor da dengue. De autoria do artista plástico e restaurador Roberto Luiz (foto), este é um dos inventos que a Cooperativa de Trabalho dos Intelectuais e Inventores, recém-criada em Belo Horizonte, está conseguindo colocar no mercado.

Base para plantas previne a dengue

O artista plástico Roberto Luiz de Lima, responsável pela restauração de elementos decorativos de vários prédios históricos de Belo Horizonte, como o Arquivo Público Mineiro, criou uma base coletora de água para vasos ornamentais, construídos em concreto e fibra de vidro. A base é um sistema sim-ples, que funciona como gaveta, armazenando e vedando o excesso de água nas plantas, onde geral-mente se acumulam microorganismos. E em tempos de dengue, o invento ganha maior importância, uma vez que a água usada nos vasos é mantida fora do alcance dos mosquitos transmissores da doença. Roberto Lima confirma que é difícil para o inventor encon-trar parceiros no mercado, o que pode ser facilitado pela Coopiib. “A Cooperativa nos dá segurança para trabalharmos nossos inventos", acredita. A sua intenção agora é buscar empresa interessada em produzir a base em material plásti-co, de forma que o invento fique acessível à grande maioria da população.

 

Lençois sempre firmes


O prendedor de lençóis é prático e deixa as
camas sempre arrumadas

A aposentada Edna Leite de Almeida é uma cooperada que já está usufruindo na prática os fru-tos do seu invento, o prendedor de lençóis que batizou de lençolfix. Há três anos começou a desenvolver a idéia de um acessório que prendesse os lençóis de forma que ficassem sempre bem firmes e esticados na cama. O modelo final lembra um suspensório de alças reguláveis e presilhas usadas em cinta-liga feminina e que fica por baixo do co/chão.Os primeiros fez para uso próprio e de amigos que se inte-ressaram. Na Cooperativa, encon-trou a parceria de um empresário de Belo Horizonte que se interes-sou em produzir comercialmente o invento. No final do ano passado produziu cerca de 8 mil peças e no início de fevereiro deu início à produção de mais 10 mil. A pro-dução é terceirizada. Edna é uma entusiasta da cooperativa por acreditar que a mesma incentiva e co/oca o produto em evidência. "É difícil abrir o caminho sozinha", diz, enfatizando a importância do trabalho cooperado.

 

Ônibus Acionado por rádio

A história começou num dia de chuva. O aposentado Dácio Pedro Simões estava num ponto de ônibus de Belo Horizonte (MG) quando foi abordado por um deficiente visual, pedindo para avisá-lo quando o ônibus dele chegasse. Só que o ônibus de Dácio chegou primeiro e ele acabou indo embora, pensando nas dificuldades que os deficientes físicos e visuais enfrentam numa cidade grande.
Resolveu inventar algum tipo de dispositivo que pudesse auxiliar os deficientes visuais na difícil tarefa de usar os transportes públicos. Inicialmente, pensou numa espécie de placa de cristal líquido, do tamanho de um livro, em que o deficiente pudesse digitar o número do ônibus. A idéia foi logo descartada por apresentar vários inconvenientes, como a dificuldade de visualização pelos motoristas.
O aposentado não desistiu da empreitada e começou, então, a elaborar algo que usasse rádio-freqüência. Pensou num tipo de rádio que tivesse receptores nos coletivos. Sempre que um deficiente chega a uma parada digita o número do ônibus desejado; ao se aproximar 150 metros do ponto, o motorista é avisado por um sinal luminoso no painel e, quando pára, o ônibus emite um sinal sonoro para chamar a atenção do deficiente.

Projeto DE LEI – A idéia parecia boa, o problema era colocá-la em prática. Dácio não tinha dinheiro para investir num protótipo e começou a procurar universidades, centros tecnológicos e associações de deficientes visuais em busca de uma parceria. Numa reunião, na Incubadora de Base Tecnológica da PUC/MG conheceu Ricardo Romeiro, coordenador do Programa de Apoio Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas (Patme) do Sebrae em Minas Gerais.
"Achei a idéia dele muito interessante e pedi que me procurasse para conversarmos melhor. Entrei em contato com o Instituto Nacional de Telecommunicações (Inatel) instalado em Santa Rita do Sapucaí, sul de Minas, que firmou um convênio com o Sebrae, a partir do Patme, para desenvolvimento do projeto", lembra Ricardo.
Depois de três anos, o DPS 2000 já pode virar lei em Minas Gerais. O deputado Ambrósio Pinto (PTB) apre-sentou na Assembléia Legislativa do estado o projeto de lei nº 1.265/00, que obriga as concessionárias de ônibus de Minas a instalar nos coletivos o aparelho transmissor capaz de facilitar a sua utilização pelos deficientes visuais. O projeto já foi aprovado pelas comissões de Constituição e Justiça e Transporte, Comunicação e Obras Públicas e aguarda o fim das férias parlamentares para ser votado em Plenário.

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